sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Bazar de Textos II - Um Dia Daqueles

Jorge detestava muitas coisas, e uma delas era ananás nas pizzas.
"Como é que possível que haja pessoas que gostam mesmo daquilo", registou este vosso repórter quando o visitou no Estabelecimento Prisional de Lisboa, conhecido no mundo do crime, e no nosso, como E.P.L. numa fria tarde de Novembro do mês passado.
"Jorge", comecei assim a entrevista, pelo seu nome, "como veio parar a este síio horrível ?"
"Bem, é uma longa estória..."
"Você só conta o que quiser.."
"Sem dúvida, mas não quero ser "profilizado" desta maneira tão vil...E tenho mais uma exigência a fazer. O interesse é seu, eu estou em posição de fazer as exigências que me apetecer. Você é a minha puta neste momento, aqui & agora."
"Espero que me pague"
"Sim, fique descansado. O que quero é um tabuleiro de xadrez. Enquanto temos tempo..."
Falámos de tudo. Do tempo, de futebol, de carros, mas de mulheres não muito. Ele estava bem informado acerca de temas da actualidade, sabia de tudo pela internet. Era lá que tinha os seus amigos, este pobre diabo, era através do Facebook que exercia ao máximo uma personalidade que era muito sua e que poucos, aparentemente, queriam realmente conhecer. Não trabalhava, acreditava ser uma victima do sistema. Odiava pessoas paranóicas, mas não se reconhecendo a si mesmo como uma. Rapaz de estrictos costumes, espartano nos hábitos, não o reconheceríamos nem nos lembraríamos dele no Metro, tal como ninguém se apercebeu exactamente quando ele entrou na pizzaria com uma navalha tipo "borboleta" na mão.Para ele, foi apenas um daqueles dias."

JN, 2012

Poesia VIII : Celebração da intempérie - à memória de Henri-Desiré Landru e Jack, o Estripador

Celebração da intempérie
És um assassino em série
Disse bem a tua tia,és um zero a poesia.
Concordata na camarata 
Temporal na tua moral,
Foste o Monstro do Cadaval.
O teu almoço era um osso
Uma Ema era um problema.
Constipação no coração,
Melancolia é fantasia,
E a dor tanto purifica
Os Crimes da Estrada de Benfica.
Odiaste o fru-fru
Extraías almas pelo cú
Estrangulavas na Alameda
Com uma meia de seda
Sem nenhum arrependimento,
Tempestade e Sentimento,
Culpado é o frango assado.

10 de Março de 2011

Poesia VII : A Coroação de Galatea

Passos curtos,atrevidos
Escutei e lá estavas
De falar não precisavas
De carinhos prometidos
Entreguei-me,com devoção,
A tua causa com fervor
Estátua olha teu autor
Senti-me um Pigmalião

Tentei um templo erigir
Acendi paus de incenso
Mas foi de luar intenso
O que fiz p´ra te exprimir
Só contigo é que sei voar
Princesa,iremos fugir
E nunca mais chorar,só rir
No nosso mundo exemplar


Não tens nome nem idade
Na tua doce companhia.
Sem ti eu não viveria
P´ra toda a eternidade

15 de Março de 2011

Poesia VI : Danças Com Deusas

Doce armadilha que seduz
Sem uma palavra dizer,
Senhora serás do meu ser
Para que veja a tua luz.
Para ti eu me desnudo
De sentidos apurados,
Em teus tons apaixonados,
De repente entendo tudo

Rios de tinta podem correr
Sobre a tua epifania
Mas ninguém entenderia
O que o amor pode esconder.
Sem disfarçar o meu tremor,
Tuas carícias invoco
De joelhos me coloco
Pra receber o teu amor


À deriva,no teu enlace
De todo o coração sou teu
Vou alcançar o apogeu
Para que vença,não fracasse

15 de Março de 2011

Poesia V : Salmacis

No teu corpo, uma cascata
Teu cabelo, corredio
Depois, na tua pele de prata,
Um sopro, um arrepio
Tua formosura quase mata,
A minha alma, por um fio.
E entraste nos aposentos
Dos meus simples sentimentos.
.
Secaste o corpo na cama
Com a febril gentileza
De quem não apaga a chama
Da visão da tua beleza.
Não troces pois de quem te ama
Com tanto orgulho e pobreza.
E ostentas, de fina veste,
A sedução que prometeste.
.
A minha mão é assim tua
E do teu templo sou pilar
Para pelas eras suportar
A ninfa banhando-se nua.
JN/2012

Poesia IV : Ser Selvagem

Teu antílope eu serei
Tu serás minha gazela
Pinta-me na tua tela
Cores que não esquecerei
Cinza, preto e cor do mel
Nos castanhos da savana
O teu amor não engana
Está colado à minha pele
Nem sempre é evidente
Mas o amor nos fundiu
Para sempre nos uniu
Pintado a reluzente
É estilete a tua ausência
Que meu coração trespassa
Vou mostrar a minha raça
Por amor à transparência
É pungente o formigueiro
Da tua antecipação
Iremos pois de mão em mão
Conquistar o Mundo inteiro!

Bazar de textos I - Algumas reflexões para uma democracia deliberativa popular de salvação nacional

Os partidos com assento parlamentar, os mesmos que controllam o poder legislativo, o Estado e a administração pública, devem ser banidos d´a actividade política e as relações entre elles e os agentes económicos deverão ser revistas, reformuladas, e as suspeitas de mal-practica deverão ser investigadas por entidades pessoais & colectivas insuspeitas e isemptas.
Deveria ser dada aos restantes partidos d´o espectro político nacional a possibilidade de criar uma plataforma de entendimento baseada n´o mínimo denominador commum da antítese d´aquilo que tem sido feito até agora na vida e n´a arte da governação. A sua ausência das estructuras d´o poder seria o garante d´a sua oportunidade, perante a qual se obrigariam a um voto e compromisso de honra de dedicação única e exclusiva à boa e justa governação d´o País.
Uma outra alternativa seria a devolução imediata d´o poder deliberativo à Nação, directamente, através d´a instituição de assembleias/camaras deliberativas populares ao nível d´a freguesia e da câmara municipal por meio d´a democracia directa e p´lo consenso, retendo a administração central o poder executivo conferido de baixo para cima, p´los representantes directos e mais próximos d´o povo, p´la sua affirmação – de que jamais abdicaria d´o poder de questionar de forma incisiva e directa as acções d´os seus eleitos.
Um orgão consultivo composto precisamente d´essas entidades pessoais e colectivas insuspeitas e isemptas actuaria como conselho de peritos n´as diversas áreas d´a governação, auscultando todos os sectores d´a sociedade. Poderia ser dada a alguns políticos arrependidos a chance de collaborar com o projecto de salvação nacional, em troca do salário mínimo nacional, em áreas technicas especificas. As despesas d´os orgãos publicos seriam sujeitas a rigoroso scrutinio por parte d´as camaras deliberativas populares a ellas afectas.
Um plebiscito deveria ser realizado, dando à Nação a escolha entre o retorno à Monarchia Constitucional, ou permanência n´a república - mas desta vez com uma presidência colegial de 3 elementos em mandatos de 3 anos. Seria vital que a presidência, a ser sustida, não mais voltasse a ser ocupada por um indivíduo, e muito menos por um político de carreira. Monarcha, ou presidência colectiva, actuariam activamente, como árbitros em disputas entre as instituições.
A opção da regionalização/federalização do país seria de novo colocada n´a mesa, apesar de a história e tradição nacionais serem marcadamente municipalistas ; p´lo que outra opção passaria pela instituição de um parlamento constituído p´los representantes de todas as autarchias d´o país, com peso institucional igual entre si. D´esta forma, da base para o topo, todos os portuguezes estariam representados. O voto seria obrigatorio.
Todas os direitos, liberdades e garantias actualmente existentes seriam preservados. Mas as centrais sindicais teriam que ser extirpadas d´as suas conotações partidárias actualmente existentes. Não sendo retirado ao povo o direito de associação profissional, obviamente, mas a ideia seria des-politizar as relações entre classes, assim eliminando ou reduzindo ao máximo os conflictos entre ellas.