segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Conferência Solitária II - Bibliotecas Online, livre acesso

http://www.classicreader.com/

https://openlibrary.org/

http://www.gutenberg.org/ - Projecto Gutenberg

http://www.wdl.org/pt/ - World Digital Library

http://ebooks.nypl.org/FF2AAF2A-B4CB-4BB8-8F20-95F773642037/10/257/en/Default.htm

The New York Public Library

http://www.bartleby.com/

inclui
The Harvard Classics
The Shelf of Fiction

Conferência Solitária I - Studium Generale

Esta conferência dedica-se a registar o meu objectivo e plano de estudo na condição de autodidacta, enquanto não ingresso na universidade (e quiçá mesmo depois dela).
Chamo-lhe Studium Generale, o nome dado às universidades medievais, na convicção de que este método e plano é pouco qualificado/preparado, de acordo com o que diria o sistema, o ensino oficial. É, pois, algo primitivo, medieval ; na escolha dos temas e áreas, principalmente.
Mas que importa isso ? Alguém, para além de mim, se interessa ? Alguém iria ler estas palavras, para examinar esta conferência, para a qualificar, categorizar, no seu núcleo de interesses ? Faço tudo isto para mim, no doloroso prazer da solidão, da satisfação de que posso mandar às malvas quem eu quiser e quando quiser. O Studium Generale é uma das gratificações que tenho em realizar que estou só.
Eis pois as matérias que o compõem :

- Latim
- Alemão
- Problemas de Xadrez
- Música (Guitarra Clássica)
- Desenho
- Programa "Grandes Livros" ( do Cânone Ocidental )

No que diz respeito a avaliação/examinação, há formas de aferir a progressão na aquisição dos conteúdos. Há livros para isso, com provas e as respectivas soluções ; creio que há exames online ; há escolas onde me matricular ; e finalmente - no que toca à Música e ao Desenho, intuitivamente e por ouvido saberei se a coisa está ou não bem feita.

(continua)

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Bazar de textos III - Blues/Fado do Alcoólico

1
Eu era um alcoólico
Não era nada que se veja
A vida era ingovernável
A namorada era a cerveja

REFRÃO :
Sim, eu era um alcoólico
Sem auto-estima nem lisonja
Perdi um emprego fixe
Porque bebia como uma esponja

2
A mulher disse-me um dia
Isto vai acabar mal
Vou-me embora com os putos,
Tu vais parar ao hospital

REFRÃO :
Sim, eu era um alcoólico
Sem auto-estima nem lisonja
Perdi um emprego fixe
Porque bebia como uma esponja

3
Numa noite d´insanidade
Era tão grande a bebedeira
Dei com a tromba no passeio
E parti a cremalheira

REFRÃO :
Sim, eu era um alcoólico
Sem auto-estima nem lisonja
Perdi um emprego fixe
Porque bebia como uma esponja

4
Até eu fiquei cansado
De me vomitar e partir todo
Não posso voltar ao copo
Porque assim é que me fodo

REFRÃO :
Sim, eu era um alcoólico (OH YEAH)
Sem auto-estima nem lisonja
Perdi um emprego fixe
Porque bebia como uma esponja

5
Comecei a ir às salas
Daquela irmandade
Até conheci umas chavalas
Redescobri a felicidade

REFRÃO :
Sim, eu era um alcoólico
Sem auto-estima nem lisonja
Perdi um emprego fixe
Porque bebia como uma esponja


Poesia X : Minerva me enerva

Ei-los tão bem alinhados
Soldados numa parada
De sabedoria ou nada
E de muitas cores fardados
Em vários discursos lentes,
Eles olham com a frieza
Tão própria da proeza
De fazer-nos sapientes

À noite, às vezes pergunto
Talvez estejam a falar
Bem poderiam partilhar
Qualquer que fosse o assunto
Em palavras parecidas,
Talvez um dia a sonhar
Veja livros a conversar
De maravilhas escondidas

Picando com sua lança
A deusa como louca ri
Pelos livros que nunca li
E deixo-me ir na dança

Poesia IX : Luar de Cemitério

Sei de um jardim palacial
Onde no meio da vereda
Ouves o fru-fru da seda
De um fantasma glacial
Beleza,misteriosa
Eis a mulher de cristal,
Pr´á lém do bem e do mal
É negra a sua rosa

 É frio o nevoeiro
Que permeia o labirinto
Viro no quarto ou no quinto?
Ou será no derradeiro?
Num rir sobrenatural,
Diz-me que em todo o frio
É Orfeu que eu recrio
Que tudo vai acabar mal

Era fútil a caçada
De facto assim acontece
Nada é o que parece
E tudo acab´em nada

Bazar de Textos II - Um Dia Daqueles

Jorge detestava muitas coisas, e uma delas era ananás nas pizzas.
"Como é que possível que haja pessoas que gostam mesmo daquilo", registou este vosso repórter quando o visitou no Estabelecimento Prisional de Lisboa, conhecido no mundo do crime, e no nosso, como E.P.L. numa fria tarde de Novembro do mês passado.
"Jorge", comecei assim a entrevista, pelo seu nome, "como veio parar a este síio horrível ?"
"Bem, é uma longa estória..."
"Você só conta o que quiser.."
"Sem dúvida, mas não quero ser "profilizado" desta maneira tão vil...E tenho mais uma exigência a fazer. O interesse é seu, eu estou em posição de fazer as exigências que me apetecer. Você é a minha puta neste momento, aqui & agora."
"Espero que me pague"
"Sim, fique descansado. O que quero é um tabuleiro de xadrez. Enquanto temos tempo..."
Falámos de tudo. Do tempo, de futebol, de carros, mas de mulheres não muito. Ele estava bem informado acerca de temas da actualidade, sabia de tudo pela internet. Era lá que tinha os seus amigos, este pobre diabo, era através do Facebook que exercia ao máximo uma personalidade que era muito sua e que poucos, aparentemente, queriam realmente conhecer. Não trabalhava, acreditava ser uma victima do sistema. Odiava pessoas paranóicas, mas não se reconhecendo a si mesmo como uma. Rapaz de estrictos costumes, espartano nos hábitos, não o reconheceríamos nem nos lembraríamos dele no Metro, tal como ninguém se apercebeu exactamente quando ele entrou na pizzaria com uma navalha tipo "borboleta" na mão.Para ele, foi apenas um daqueles dias."

JN, 2012

Poesia VIII : Celebração da intempérie - à memória de Henri-Desiré Landru e Jack, o Estripador

Celebração da intempérie
És um assassino em série
Disse bem a tua tia,és um zero a poesia.
Concordata na camarata 
Temporal na tua moral,
Foste o Monstro do Cadaval.
O teu almoço era um osso
Uma Ema era um problema.
Constipação no coração,
Melancolia é fantasia,
E a dor tanto purifica
Os Crimes da Estrada de Benfica.
Odiaste o fru-fru
Extraías almas pelo cú
Estrangulavas na Alameda
Com uma meia de seda
Sem nenhum arrependimento,
Tempestade e Sentimento,
Culpado é o frango assado.

10 de Março de 2011