Uma (re)colecção de textos de formato e extensão diversos - poesia, crónica, meditações avulsas, anotações diversas, flash fiction, excerptos de contos escritos e por escrever, memórias e auxiliares de memória, orações, manifestos de ciências imaginárias como por exemplo a Monte Cristologia, e outros exemplos de sabedoria e disparate.
sábado, 28 de junho de 2014
POESIA XIX : REVOLUÇÃO
REVOLUÇÃO
Um dia vou erguer um império
Uma pátria de sentimentos
Onde serão os donos gatos pulguentos
E os que ninguém leva a sério
Mandarão os que sofrem da loucura
Que é viver nas ruas da amargura
Mudarei o Mundo, de baixo para cima
Será um reino para o novo milénio
Dos que arrastam botijas de oxigénio
E pessoas com baixa auto-estima.
Um sonho para cães abandonados,
Vinde pois a mim vós, os fracassados
Acolherei victimas de todas as cores
Darei trabalho aos estropiados,
A escritores & poetas rejeitados
& os tuberculosos serão os Senhores.
Doentes, velhinhos, indigentes,
Tomarão os lugares mais influentes
Filhos da tragédia, esquecidos da revolta,
Deserdados & crianças sofridas :
Marcharemos pelas avenidas
Lançaremos leprosos à solta.
Criarei um exército, uma armada,
Dedicado aos que não têm nada.
Farei das pobres prostitutas, Damas
Antes da reconciliação & do Amor
É preciso retribuição, & Dor.
Vou pôr o mundo em chamas
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Micro ficção : CIDADE CADASTRADA
CIDADE CADASTRADA
Naquela cidade, a sociedade e a vida como um todo eram dominadas por estatísticas e a maior aspiração de qualquer cidadão era ser demógrafo. O governo era composto por demógrafos, verdadeiros engenheiros sociais e mestres do universo, que compunham e desenhavam o corpo social e às vezes o individual. A esperança média de vida era de 78.7 anos, pelo que os cidadãos, ao completarem 78 anos, teriam que ter a simpatia de viver mais 7 meses e depois retirarem-se do palco do mundo, e os agregados familiares tinham uma taxa de fecundidade média de 2 filhos e meio por casal, o que implicava que, no desporto escolar, houvesse um justo equilíbrio de laterais direitos e laterais esquerdos em campo. Também do que dizia respeito à taxa de nupcialidade, a média era de 2.5 casamentos por cada 1000 habitantes, o que implicava que para cada par homem/mulher houvesse durante a vida dois casamentos (mais ou menos bem sucedidos, pelo menos o segundo presumia-se que era porque não havia segundo sem o primeiro ter falhado) e uma relação aberta, em que as pessoas estavam casadas e não estavam. Meio casados, os homens e mulheres sentiam-se mais à vontade para se insultar e agredir a 50%. Esta abertura de espírito e atitude proporcionava uma agradável válvula de escape para outros males sociais, como a densidade populacional. De um total de 115 habitantes por km2, 2.875 eram os meios filhos dos casais, que aliás, por comodidade para os seus meios-rebentos, viviam em ruas onde só se virava para a esquerda ou para a direita, conforme o posicionamento dos olhos da mocidade. E não por acaso, com esta redundância, conceitos como esquerda e direita políticas eram desconhecidos. O que governava a cidade eram os números, e a média. Não por acaso, o nome favorito para menina era Mediana e para rapaz era Rácio.
Outra consequência menos conveniente era a pirâmide etária. Nunca se conseguia agradar a ninguém, o que causava enormes disputas sociais. Velhos a carregar jovens aos ombros aumentava a taxa de médicos especializados em Gerontologia ; e quando ciclicamente se dava o fenómeno inverso, havia revoluções de jovens que se sentiam sobrecarregados com o peso dos idosos, o que era mau para o desenvolvimento saudável das colunas da mocidade. isto também tinha implicações graves na Taxa de Criminalidade : jovens insatisfeitos buscam soluções fáceis, como assaltar alguém 7.8 vezes por ano. Assim, cada munícipe ao sair de casa podia esperar ser roubado 1,538 vezes ao longo do ano, preparando-se para isso 3 vezes por semana. Como a média era de 2.5 armas por habitante, os 115 habitantes por km2 tinham que partilhar as armas, o que significava que andavam em grupos de 47 pessoas atrás de uma arma. E como os jovens meliantes podiam muito bem fazer parte dos 0.5 meios-filhos de casais, além de poderem vir a assaltar ( ou meio assaltar ) os próprios pais, podiam não ter necessária destreza ( ou esquerdeza ou imperícia ) no manejo das 2.5 armas disponíveis. Havendo 4.5 polícias por cada 1000 habitantes, o que resolveria o problema se fossem colocados frente-a-frente meios polícias (que só recebiam meios subornos), que aliás só precisavam de patrulhar a cidade 3 vezes por semana. A cidade, no fundo era um sítio que para se viver tinha a segurança dos números.
Uma coisa que não se sabia era exactamente quantos demógrafos-políticos e peritos em cálculo havia na cidade. Assim não foi possível a população saber que a probabilidade de um asteróide atingir a Terra era de 1 em 635. E mais por desastre social do que por catástrofe natural, um dia a cidade e a civilização colapsaram.
Havia força nos números e nem toda a gente conhecia o seu poder.
terça-feira, 24 de junho de 2014
Micro Ficção : CIDADE SANTA
Como tanta coisa na vida, tudo começou com uma brincadeira um bocado parva, mas inocente. Na pizzaria do centro comercial, Magda e Jaime haviam combinado dizer a quem os atendesse que Jaime pertencia a uma minoria étnico-religiosa que o impedia de comer ananás, por isso não iriam querer essa fruta na pizza. Elaboraram um pouco mas não muito porque a funcionária estava a trabalhar, mas o suficiente para dizer que no séc. XIX um índio do Paraguai tinha tido uma visão do Grande Espírito que decidira comunicar com ele através de um ananás, por isso não podia comer o espírito. A jovem funcionária, profundamente impressionada, não tardou a falar disto a colegas e amigos e o mito não demorou a alastrar como um rastilho, incendiando as redes sociais. Foram formados grupos de apoio ao Ananás. Jovens de esquerda bem educada puseram máscaras de Anonymous e lenços palestinianos, fundaram a Frente de Libertação do Ananás e foram protestar para hipermercados contra o opressor que vende, cortado às rodelas, o espírito e o põe em latas ainda por cima com a suprema humilhação de o pôr em conserva - representando a victoria da ciência e da indústria sobre a Natureza. Jaime acordou um dia e viu repórteres de TV em frente à sua casa, querendo entrevistar o sucessor do Profeta. Jaime teve a infelicidade de dizer que era tudo uma farsa, criada por inveja pelo Irmão Gémeo Mau do Ananás, o Abacaxi, que se considerava o Verdadeiro Grande Espírito. Nessa altura a sociedade já estava insanavelmente dividida entre puristas e intérpretes da verdade, e grandes inquisidores de ambas as partes decidiram questionar Jaime. O que ele dissesse seria verdadeiro, e Jaime seria coroado como um ananás - ou abacaxi. Magda estava já de cabeça perdida e implorava a Jaime que pusesse fim ao embuste, mas Jaime sentiu-se estranhamente poderoso. A mentira tornava-se verdade, lenta e insidiosamente, no seu espírito. O poder das massas e dos media havia tomado o freio nos dentes, e, não resistindo a tamanha força, ele sucumbiu. Quando os aspirantes a sacerdotes (que entretanto viam a face do Espírito do Ananás em todo o lado e reconheciam palavras proféticas em qualquer papel escrito que lhes aparecesse à frente) lhe solicitaram subservientemente uma audiência, ele deixou-se dominar pela vertigem do poder. Levaram a herética Magda, que chorava como uma madalena arrependida, para um campo fora da cidade, onde lhe arremessaram ananases até ela cair - ela implorando misericórdia e jurando eterna fidelidade ao divino fruto. Regressou submissa a casa onde se arrojou aos pés de Jaime, agora sentado num trono adornado de escamas verdes. E o mundo nunca mais foi o mesmo. Foi encontrada uma nova galáxia, devidamente nomeada Ananasia Maxima. Cientistas oficiais do regime esforçaram-se por dar vida inteligente ao citrino de origem sul-americana. E floresceu toda uma indústria de parafernália e objectos de culto dedicados ao Ananás, e viagens à terra prometida e aos locais visitados pelo Grande Espírito. Décadas e guerras santas passadas, a funcionária da antiga pizzaria morreu e no seu testamento foi encontrado um documento que relatava o sucedido anos antes. Um grupo marginal de cientistas, correndo risco de vida, acabou por repôr a verdade. A dúvida, tal como a crença cega, havia transformado a visão da populaça ; e lenta e dolorosamente o mundo voltou ao que havia sido. Foram instituídas comissões de paz e reconciliação com o alto patrocínio da ONU ; o funcionalismo e a classe clerical do Culto do Ananás foi reeducada, e os eixos da vida e da normalidade foram realinhados. Jaime suicidou-se com uma overdose de compota de ananás, e Magda escreveu a sua autobiografia que se tornou um bestseller e depois um filme realizado por M. Night Shyamalan.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Micro ficção : DA GESTÃO DOS ESPAÇOS EM LOCAIS CONFINADOS
Descobri que era fininho como uma adolescente anoréctica quando me apercebi que todas as pessoas gordas que entram no autocarro escolhem invariavelmente sentar-se ao meu lado. Ou isso ou elas têm a visão tipo espelho da Feira Popular que faz as pessoas parecerem mais magras. Seja como for, descobri que as realidades da vida às vezes são apreendidas como a notícia do jornal que está no chão e é soprado pelo vento : só vês uma parte delas, e ainda assim mal, por isso é-te permitido presumir, especular. Como quando na missa, a igreja estava cheia ( e aquela moça do coro da igreja que, cheia de fé, se me abeirou com uma folha de papel com os hinos nela escritos, para me convidar a cantar. A consequência directa disso foi a minha recusa ; eu, que sou um católico fervoroso, por puro amor e compaixão com a Humanidade pensei que era melhor recusar, pois já há pessoas suficientes a abandonar a Igreja de Roma. Além disso não queria dar às pessoas razão para se tornarem mártires, não me compete a mim influir em matérias de fé, ser a causa de as levar a deixar a família e a casa e o emprego a fim de dedicar as suas vidas à oração pelo mundo, tão cruelmente flagelado pela minha voz. )
E pronto, mesmo assim disposto a enfrentar o mundo e a Humanidade, lá saí da igreja e entrei no autocarro, verdadeiro campo de batalha onde as pessoas se degladiam com os rabos e com as barrigas em lugar de espadas, onde se decide o futuro imediato da gestão do espaço em locais confinados. Há sempre um bébé irritante a chorar, ele sabe que tu vais lá entrar e começa logo a soltar berros. Também há uma pessoa a tossir de uma forma que te faz lembrar um pterodáctilo fanhoso.
Depois tive que entrar num elevador que já tinha dentro, para meu azar, quatro pessoas. O que fazem quatro pessoas num elevador ? Ocupam os cantos e conseguem dar-se ao luxo de conseguir olhar para as paredes, enquanto a quinta pessoa é forçada a ficar no meio, o pior espaço vazio possível. Mas o que é isto ? Estamos num filme de submarinos ou quê ? Pensas logo que há, evidentemente, uma conspiração contra ti. A do espaço. E a dos corpos, chegas ao ponto de desejar que ninguém tenha um corpo. Que sejamos todos espíritos angelicais. Ou que pelo menos ninguém tenha um corpo animado e quente, a suar de esforços e esperanças não conseguidas.E depois não me venham com tretas budistas de encontrarmos o nosso espaço interior. Há uma malícia nisto - e chama-se "os outros". Foi por isso que um dia decidi que tinha que os matar a todos.
Micro ficção : A CIDADE DA VERGONHA - uma fábula
A CIDADE DA VERGONHA - uma fábula
Há muito, muito tempo, num país muito distante, vivia um homem muito tímido, a personificação do embaraço. Tudo o incomodava : o sol, a chuva, taxistas que nunca param nas passadeiras, pessoas que aderem alegre e inquestionavelmente ao acordo ortográfico, pessoas que cortam as unhas em público, mães que compõem as sobrancelhas dos filhos com um dedo humedecido de saliva, não haver todos os tipos de lápis nas lojas dos chineses, entre muitas e variadíssimas coisas. Ele engolia com filosófica vergonha todas estas afrontas sem nunca deixar de sentir pena pelas pessoas e pelas situações que reduzem a Humanidade a um estado de pré-felicidade da sofisticação. Para ele, pensar e saber circunstâncias o embaraçavam ao ponto da impotência surda e do desagrado e do impossível desagravo fazia-o lamentar o seu estado e condição com todas as fibras do seu ser. Assim um dia, decidido a nunca mais ver ninguém pela frente, resolveu estar sempre por trás das pessoas. Impedido de alterar o estado das coisas apercebendo-se que a Humanidade lhe voltava as costas com desprezo, propôs-se executar ele mesmo essa realidade, e pôs-se definitivamente nas costas das pessoas, já que pela frente a sua timidez e vergonha não o deixavam fazer.
E assim, essa cidade ficou conhecida, célebre mesmo, como a Cidade da Vergonha, em que as pessoas escutavam uma voz recriminatória como quem lê o jornal por cima dos seus ombros, e vinda da parte de trás das suas cabeças, verdadeiro calduço castigador na nuca ; incapaz pelo pudor de dizer as coisas frontalmente, a voz do homem invisível comunicava aos cidadãos, por uma espécie de porta das traseiras, tudo aquilo que queria ter dito mas nunca fora capaz.
As pessoas pensaram começar a enlouquecer, ao princípio – não conseguiam abafar a voz da sua suposta consciência pessoal e cívica, e o homem tímido começou a ler nos jornais (do fim para a página 1) e a tomar consciência do seu poder. Às vezes gritava, outras vezes sussurrava, e outras ainda mantendo-se em silêncio – descobrindo com secreto deleite que conseguia prever e corrigir, mesmo calado, crimes de ridículo e patetice. De modo que, lentamente, o povo foi perdendo o sentido do ridículo, mas também deixou de cantar e compor quadras para manjericos ; os cantores pimba, por falta de público, emigraram para França ; os jogadores de futebol começaram a comprar carros mais baratos e discretos e a fazer menos tatuagens ; morreram de inactividade e desgosto velhinhos de bairro porque a coscuvilhice passou de condenável a anátema, e o povo deixou de ver telenovelas mexicanas.
O homem invisível tinha criado um monstro de apatia, sem cor, nem lustro, nem lantejoulas, e sem a alegria que o espírito crítico e do discernimento livre pode conferir. Sem coisas ridículas e palermas, sem o mau gosto, também se havia perdido toda a maravilha que é a educação de gostos, da descoberta da qualidade, dos momentos “Eureka!”, do avanço da criatividade ; sem one-hit wonders havia cessado também a capacidade de verdadeiros talentos se revelarem e passarem o teste do tempo, havia acabado a verdadeira epifania que é alguém escutar pela primeira vez música de qualidade e sentir o arrepio gostoso de ver os pêlos dos braços a erguer-se.
Até que um dia tudo acabou abruptamente e a cidade e as suas gentes voltaram ao normal, bom ou mau.
Sujo, cansado de todo o seu labor educativo e com falta de sono, o homem das traseiras deitou-se num banco de jardim, falando sozinho, repetindo vezes sem conta a glória dos seus feitos e acertos, como havia instituído sozinho um Reino da Consciência. Nem se deu conta de ser levado em braços por braços fortes, vestidos de branco ; deu entrada num hospital psiquiátrico onde jura que não é louco. Os outros loucos dizem-lhe exactamente o mesmo, e ele apercebeu-se que poderia finalmente descansar em paz. De miseravelmente único e diferente, passou a ser o primeiro entre iguais.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Os Animais : LAGARTO
O Sol vence sempre porque é um tirano, é um dador de vida que mata se não souberes viver com ele, e é o Sol que tudo vê. Um déspota, o Panopticon, o Sol que tudo vê é a divinização da coscuvilhice. O Sol, assim, tortura-nos, e a imobilidade torna-se a única fuga possível. Foges dele e refugias-te em tocas, verdadeiros úteros de pedra, no seio da Mãe Terra. Despertas de sonos também de pedra, com a boca seca e pastosa dos milénios extremos que são os curandeiros da consciência cheia de linguagem simbólica e misteriosa dos Tempos dos Sonhos, excêntricos e vagarosos como o crescimento de uma cordilheira, num Mundo simultaneamente pessoal e universal, arquetípico, que cada Homem tem a veleidade de explorar quando dorme. E da mesma maneira, cada Homem, enquanto se forma no útero da sua mãe, nm certo momento da reconstituição da história da vida animal, toma a forma de um pequeno lagarto.
São as palavras que me ocorrem escrever na conferência que que mais tarde vou proferir perante uma audiência de jovens poetas hippies, alimentados com generosas doses de Castañeda, Blake e Baudelaire quando eles vierem ao deserto em busca da sua alma, e de alguma reconexão com o mundo natural e antigo, que eu, o Lagarto, profetizo depois de as interpretar de dentro de um buraco formado por pedras calcinadas pelo Sol, que as faz parecer um pão seco e gretado ; as ranhuras e as fissuras nas rochas para mim são petróglifos, letras de um livro sagrado escrito na língua dos deuses que vieram à Terra mas depois foram-se embora, deixando-nos abandonados à nossa sorte e na nossa condição de criaturas imperfeitas, com que nos mortificamos e picamos como cactos que lançam a sua sombra no crepúsculo de deuses, homens, e animais. Vêem além aquele esqueleto de vaca, branco, limpo e seco ? Noutras paragens poderia talvez ainda estar viva, e ser uma vaca sagrada ; mas aqui se calhar tentou atravessar este deserto, o meu deserto ; nunca precisei de o atravessar porque sempre aqui estive, é a minha morada ancestral, e dos meus antepassados muitíssimo anteriores a isso, lagartos enormes cujos esqueletos, mais tarde descobertos pelo Ser Bípede, deram origem a lendas de dragões.
Todas estas coisas e muitas outras eles aprendem e esquecem, depois de uma festa em que cantamos e dançamos, Homens e Lagartos, à volta da fogueira, sob o Céu sarapintado como um lagarto pintado, quem te pintou...ou como uma tela negra em que um deus-criança limpou espátulas e pincéis.
Imemória. Tempo. Silêncio. São os segredos do deserto, onde não há truques - só a verdade. A verdade do Lagarto, que é miragem da origem.
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